Com a sua precoce e lamentável partida, muitas perguntas ficaram flutuando até hoje, entre elas o fato dele estar começando a trilhar para a música fusion (também conhecida como jazz/rock), um desejo que ele nunca esboçou abertamente. Mas, a bordo da sua “Band f Gypsies” (grupo que montou depois do “Experience”), ele sinalizou claramente esse romance com o jazz inventado por Miles Davies, de quem foi quase amigo. Digo quase porque eles se falaram algumas vezes, sempre rapidamente, sobre a possibilidade de gravarem um álbum juntos. Isso é fato, não boato. O boato é sobre as circunstâncias de sua morte que não tem nada a ver com overdose de heroína como ainda se diz até hoje. Jimi tomou um tranquilizante e foi dormir. Estava exausto, na casa da namorada Monika Danemann em Londres. Dormiu, passou mal durante o sono, foi mal atendido pelos paramédicos e morreu dentro da ambulância quase na porta do hospital. Esse é o fato, cuja documentação o biógrafo John Hendersen publicou em seu livro sobre o músico.
Falarei mais do grande Hendrix nas próximas colunas.
Jimmy Page merecia um livro melhor
Que decepção. Quando fechei a última página de “Conversas com Jimmy Page”, livro do jornalista americano Brad Tolinski, lançado há menos de um mês no Brasil, a sensação de tempo e dinheiro desperdiçados foi inevitável. O colega é fã do criador do Led Zeppelin, como eu, você, todo mundo que aprecia o bom rock e blues rascante. O que me levou a comprar o livro foi o fato da vida de Page ser totalmente misteriosa e cheia de lendas que ele, que detesta dar entrevistas, acabou alimentando.
O autor do livro diz que reuniu mais de 50 horas de gravações de entrevistas como o pai do Led Zeppelin ao longo dos últimos 40 anos. Quando li sobre essas 50 horas, liguei computador e comprei o livro imediatamente. Só que tudo o que Tolinski conta de Page nos passa aquela sensação de “eu já ouvi essa história em algum lugar”. O forte do livro é a descrição das guitarras, amplificadores e a maneira como Jimmy Page produziu cada música do Led Zeppelin. Nesse aspecto, o autor foi generoso, mas ainda sim eu, que também sou produtor de discos, fiquei me perguntando até que ponto essas informações são importantes para o fã comum.
![]() |
| Jimmy Page |
A vida pessoal de Jimmy Page, que Mick Wall (esse sim!) tentou descabelar no livraço “Led Zeppelin – quando os gigantes caminhavam sobre a Terra”, Tolinski diz que é indevassável. Meu chapa, exatamente por isso eu comprei o livro, achando que você iria falar o cotidiano dele, das coisas que gosta de ler, ouvir, sem fofoquinhas que, verdade seja dita, você não faz. Certo, você passa informações importantes, mas na minha modesta opinião, acho que deveria gravar outras 50 horas de papo com Page para, aí sim, avaliar a possibilidade de transformar o que (não) sabe em livro.
Só me resta agradecer
Por falar em livros (como viver sem eles?), só me resta agradecer as pessoas que estão lendo (e também as que já leram) a edição especial de “A Onda Maldita – como nasceu a Fluminense FM”, em lançamento pela editora Nitpress do grande publisher Luiz Augusto Erthal. O lançamento foi no Circo voador, finalzinho de outubro, mas virão outros.
Agradeço a todos que foram no site www.nitpress.com.br , adquiriram o livro e, depois, mandaram suas opiniões para mim. Meu e-mail pessoal é luizantoniomello@gmail.com e está aberto a todos. Viver sem opinião é impossível! Valeu!




Nenhum comentário:
Postar um comentário